
“Matou um no banheiro e um na cozinha”, disse a mãe de Natália dos Anjos Molina, 33 anos, mulher trans assassinada a tiros junto com o marido Ademar Spacino Júnior, de 38 anos, na manhã desta sexta-feira (5), em uma casa na Rua São Roque, na Vila Taquarussu, em Campo Grande. O suspeito, Deivison Felipe Alves de Brito, de 30 anos, foi preso em flagrante por uma equipe do GOI (Grupo de Operações e Investigações).
A mãe de Natália, de 60 anos, pediu para não ser identificada. Moradora do Bairro Nhanha, ela estava na casa da filha e conversou com a reportagem, abalada, no local do crime.
“Eles entraram para matar minha filha lá dentro. Fazia tempo que ele vinha dizendo que ia matar, mas eu achava que era brincadeira, mas não foi, isso daí doeu”, afirmou.
Segundo ela, a filha e o genro eram ameaçados havia tempo por Deivison e pela esposa dele, vizinhos do casal. “Eu perdi minha filha, pra mim não tem sentido uma vida dessa, eu perdi meu genro que tem uma família boa, por causa de uma conversa. Foi um crime de ódio, só porque é mulher trans, de certo foi ódio. A vida inteira ela brigava com a minha sobrinha que era quem morava aqui antes. Eles fizeram de abusado que são”, disse.

A mãe também contou que tentava tirar o casal do local. “Eles juravam minha filha faz tempo. Minha filha tem família. Eu estava até arrumando uma casa separada para eles, fora daqui. Todo dia ela falava que ia matar”, declarou, referindo-se à esposa do suspeito.
Ainda conforme a mulher, a porta da casa foi arrombada e Natália estava dentro do imóvel quando foi atingida. “Mataram ela lá dentro, ela estava dentro de casa”, afirmou. Segundo ela, a filha morava havia seis meses no local e se arrumava para ir ao trabalho. O sapato estava na sala quando o autor chegou.
“Que ele fique na cadeia pelo resto da vida”. Ao ser questionada sobre os desentendimentos, declarou que o suspeito já havia prometido matar Natália. “Foi um crime de ódio, não tinha desavença com ninguém, era uma pessoa tranquila. Só quando bebia que falava alguma coisa”, completou.... veja mais em https://www.campograndenews.com.br/cidades/capital/matou-um-no-banheiro-e-um-na-cozinha-diz-mae-de-mulher-trans-assassinada
O pai de Deivison, de 47 anos, também falou com a reportagem. Ele disse que não sabe exatamente o que aconteceu, mas afirmou que o filho era ameaçado pelo casal que morava nos fundos da casa.
“Tinha registrado boletim de ocorrência. Ele falou que quando a esposa saía para trabalhar eles vieram com pedaço de pau para agredir ela e isso aconteceu. Mas já vinha brigando há muito tempo. Acho que a briga era por conta de som alto. Meu filho é trabalhador, chegava para descansar e estava essa bagunça aí. Ele falou que o pessoal do fundo é trans, mas eu aconselhei bastante ele”, relatou.
Segundo ele, após o crime, Deivison foi para a casa da mãe, que mora na região, e depois se apresentou à polícia. “Minha nora fala que ele fez errado, era para esperar 48 horas para se apresentar, mas não tem como, ele fez, tem que pagar. Ele estava na casa da mãe dele depois do que aconteceu, a mãe dele me ligou e disse o que tinha acontecido, perdi o chão”, afirmou.
Familiares tentavam abrir a casa do casal assassinado durante a manhã. Um caminhão chegou ao local para recolher os pertences das vítimas.
Questionado sobre a suspeita de crime de ódio por identidade de gênero, o pai negou. “Estou acabado, acabou com a minha família, com a dela”, disse.
Entenda – Conforme o boletim de ocorrência, a esposa de Deivison contou à polícia que as vítimas teriam passado a noite ingerindo bebidas alcoólicas e usando droga, o que, segundo ela, era prática habitual do casal. Ela também informou que já havia registrado boletim de ocorrência por ameaça contra as vítimas em 26 de março.




















