Costa Rica, 31 de Agosto de 2026

Mulheres de programa faturam alto vendendo o corpo

A profissão mais antiga do mundo nunca foi tão cultuada como hoje.

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Mulheres de programa faturam alto vendendo o corpo

A profissão mais antiga do mundo nunca foi tão cultuada como hoje. O sexo, em troca de dinheiro e até de favores, vem cada vez mais ganhando espaço e se tornando algo comum na sociedade moderna. O que se via, antes nas telinhas, telonas e prostíbulos, agora, se vê com facilidade no bar da esquina.

No início do mês o RepórterMT  flagrou uma cena constrangedora em um dos points mais movimentados da Capital, o Bar do Azeitona, onde um garçom estaria fazendo a vez de agenciador de garotas para clientes, uma exposição desnecessária já que, não é de hoje, há sites em Cuiabá especializados neste tipo serviço. É o sexo delivery. As garotas, rapazes e travestis, atendem motéis, hotéis e, claro, em domicílio. Basta abrir um site, escolher no "cardápio", ligar e marcar hora e local.

O esquema funciona da seguinte forma: todas as meninas oferecidas nos sites têm um celular de contato e, claro, um nome fantasia. Algumas são estudantes de universidades e fazem programas para pagar os estudos; as famílias, em outras cidades ou estados, nem desconfiam.

O cliente escolhe pelas fotos, dispostas todas em poses pra lá de sensuais, mas, na maioria das vezes, com o rosto coberto. O interessado, então, marca hora e local e, a garota, correndo um sério risco de emboscada, se apresenta como combinado.  O RepórterMT entrou em contado com algumas profissionais do sexo. Os preços variam entre R$ 150 e R$ 300 - dependendo do nível de beleza.

A profissional Júlia (nome fictício), de 22 anos, conta que já passou por maus bocados na profissão, mas que vale a pena o risco pelo dinheiro que ganha, R$ 200 por programa. Ela chega a ganhar R$ 7 mil por mês.  Mas nem tudo é festa. Júlia disse que já apanhou de um cliente, que não queria pagar pelo serviço. “Ele me bateu tanto que desmaiei; quando acordei estava sozinha no quarto e ainda tive que pagar a conta do motel”, confidenciou.

Dayse e Bruno, ambos de 25 anos, são namorados e fazem programas para ganhar a vida. O casal conta que já foi à Europa e Estados Unidos nos últimos dois anos. Tudo pago com dinheiro ganho na cama. “Além de viajar bastante, também já temos um bom apartamento no litoral (não quiseram revelar onde) e dois carros; tudo quitado com dinheiro do sexo”, dizem.  Ciúme? Segundo o casal, a palavra não consta em seus dicionários.  “Estamos nisso por dinheiro e, no tempo certo, vamos parar e morar numa bela casa de praia”, dizem.  Apesar do “trabalho” em comum, os dois têm um pacto; nunca perguntar como foi o dia de cada um. A ideia é justamente não dar espaço para o ciúme entrar, segundo o casal. Além disso, jamais transar sem camisinha.

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Rúbia, 24 anos, trabalha como garota de programa há quatro anos. Ela veio do interior de São Paulo para Cuiabá. Em princípio, trabalhava em um shopping da Capital, como vendedora.  Com 1,78 m e cabelos loiros, foi incentivada por uma colega a fazer programas para melhorar a renda, que não passava de R$ 900 por mês no shopping. Hoje, Rúbia não quer nem se lembrar da vida que levava atrás de um balcão.

“Atendo gente de todo tipo; já tive problemas sim, mas compensa. Tiro em torno de R$ 9 mil por mês e já comprei casa, carro, e montei uma empresa para minha irmã; ela toca com minha mãe e as duas sabem tudo o que eu faço”, admite.  Rúbia disse que costuma cobrar até R$ 300 dependendo do cliente. “A primeira vez cobro mais caro; se eu gostar e o cara virar freguês, a gente renegocia o preço”, diz.


VIDA NA RUA

Mas se há glamour e grana por um lado, por outro há solidão e desespero. Na rua há mais de dois anos, Miriam, de 23 anos, já aparenta ter pelo menos 30. Ela conta que tem dois filhos e, ao ser abandonada pelo marido, foi obrigada a se prostituir, já que não tinha profissão e, trabalhando de forma convencional, não conseguia, sequer, um salário mínimo de renda. Ela trabalha nas ruas e não faz anúncio em sites nem jornais.

“Era impossível cuidar dos meninos com o que ganhava, foi quando uma amiga me colocou nesse ramo. É ruim, não gosto, mas consigo ganhar R$ 2 mil por mês”. Ela conta que, com o que ganha já pôde se mudar para uma casa melhor e começou a estudar. “Quero sair dessa vida”, diz.

Miriam já apanhou na rua, foi assaltada e até esfaqueada, mas disse prefere continuar até terminar o curso que faz e poder trabalhar de forma segura e tranquila.

O mercado se expande e, nem mesmo o risco de doenças como AIDS e Hepatite, afugentam clientes e profissionais. Os entrevistados garantem que realizam exames periódicos e, nunca, em hipótese alguma, fazem sexo sem camisinha, apesar da insistência por parte de alguns clientes.  Não há estatísticas oficiais sobre o número de profissionais do sexo em Cuiabá, mas em apenas um site, que oferece garotas, foram contadas mais de 100 pessoas oferendo os serviços.

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