Costa Rica, 31 de Agosto de 2026

Moro parte pra cima da obra do Itaqueirão: PF detecta propina de R$ 500 mil

O dinheiro foi entregue ao vice-presidente do Corinthians.

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Moro parte pra cima da obra do Itaqueirão: PF detecta propina de R$ 500 mil
Itaquerão, estádio do Corinthians: Obra suspeita de propina.|Créditos: Folha S. Paulo
O dinheiro foi entregue ao vice-presidente do Corinthians. O dinheiro saiu da empresa Odebrecht

Nacional - Palco da abertura da Copa do Mundo de 2014, a construção da arena Corinthians foi viabilizada com o pagamento de propina pela Odebrecht. A afirmação é do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos coordenadores da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba.

Segundo ele, os rastros de repasses ilegais apareceram em planilhas apreendidas que indicam o envolvimento da diretoria da Odebrecht que cuida da gestão do contrato com o Itaquerão. O procurador disse que ainda está em análise inicial a lista dos destinatários dos pagamentos.

Conforme o Ministério Público Federal, o diretor de contrato da Odebrecht Infraestrutura, Antônio Roberto Gavioli, responsável pela obra da Arena do Corinthians, figura em planilhas como responsável por solicitação de pagamentos em espécie de R$ 500 mil, em data não identificada, para pessoa identificada pelo codinome "Timão", que é, segundo o órgão, o vice-presidente do Corinthians, André Luiz de Oliveira, o André Negão.

Ele foi levado nesta manhã de terça-feira pela Polícia Federal em condução coercitiva autorizada pelo juiz Sergio Moro. A informação foi confirmada pelo ex-presidente e deputado federal Andrés Sanchez. "Ele está depondo. É a única coisa que sei. São coisas dele, não tem nada a ver com a arena", afirmou o dirigente à Folha.

Nesta fase, disse o procurador, o único estádio que apareceu foi o do Corinthians. Segundo ele, há indicativos de pagamentos de propina em outros estádios da Copa, segundo "indicativos de delações que ainda estão em andamento".

ODEBRECHT

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (22) a 26ª fase da Lava Jato. Denominada "Xepa", a etapa mira executivos da Odebrecht e doleiros e investiga uma suposta estrutura interna na empreiteira para pagamento de propinas em setores, inclusive relacionadas à Petrobras.

Essa estrutura, segundo o Ministério Público Federal, incluiria até uma área específica na empreiteira, chamado de "Setor de Operações Estruturadas", que operava as práticas ilegais. Esse setor teria feito pagamentos de propinas até novembro de 2015, conforme troca de e-mails entre os investigados.

"sistema estruturado" de corrupção, nas palavras do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, envolvia funcionários com divisão clara de atribuições, um sistema informatizado para controle da entrada e saída de milhões de reais e toda uma estrutura de contabilidade clandestina.

Segundo ele, os pagamentos se referiam a obras públicas do governo federal e de governos dos Estados.

A partir da análise de e-mails e planilhas, o Ministério Público apurou que pelo menos 14 executivos de outros setores da Odebrecht pediam "pagamentos paralelos", o que era centralizado nesse "setor". "Essas evidências abrem toda uma nova linha de apuração de pagamento de propinas em função de variadas obras públicas."

De acordo com a Procuradoria, "dentre as razões que embasaram as prisões preventivas estão: as novas evidências de pagamentos de propinas vultosas, disseminadas e sistematizadas como modelo de negócio."

Entre os contratos suspeitos de propina, além da Petrobras, estão o aeroporto de Goiânia, as obras do Trensurb (trem metropolitano de Porto Alegre), estradas e o estádio do Corinthians em São Paulo.

"Era uma estrutura profissional de pagamento de propina, não se limitava a casos esporádicos, mas a pagamentos sistemáticos", disse a procuradora Laura Tessler, uma das integrantes da força-tarefa do Ministério Público Federal, do Paraná.

Apenas em uma das planilhas, a Polícia Federal identificou o que seriam pagamentos ilegais de R$ 65 milhões. Doleiros providenciavam dinheiro vivo e os repasses foram feitos pelo menos até novembro de 2015.

"Isto é assustador porque, mesmo após a prisão de Marcelo Odebrecht, tiveram a ousadia de prosseguir com o esquema", disse a procuradora.

MARCELO ODEBRECHT

Segundo a procuradora Laura Tessler, Marcelo Odebrecht não "só tinha conhecimento como solicitava o pagamento de vantagens indevidas".

A afirmação dela se baseia na existência da sigla MBO em planilhas de pagamento e o cruzamento dos dados novos da investigação com as anotações encontradas no celular do executivo.

As investigações sobre os recebedores do recursos ainda estão em estágio inicial. A PF cruzou, por exemplo, dados existentes nas planilhas intituladas "paulistinha" e "carioquinha" –espécie de extratos clandestinos de contas de pagamento de propina– com os dados dos destinatários.

Em alguns casos, disse o delegado Márcio Anselmo, dados dos destinatários, como prenomes e nomes de hotéis, números de quartos e datas, coincidiram com informações sobre os hóspedes registrados nos hotéis no mesmo dia.

OUTRO LADO

Por meio de nota, a Odebrecht "confirma que a Polícia Federal cumpriu hoje mandados de prisão, condução coercitiva e busca e apreensão em escritórios e residências de integrantes em algumas cidades no Brasil".

"A empresa tem prestado todo o auxílio nas investigações em curso, colaborando com os esclarecimentos necessários", completa.

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