Agricultores encontram 'jeitinho' para fechar negócios milionários
Consórcio com pagamento em até 100 vezes é alternativa para alta dos juros. Sacas de grãos e máquinas usadas são moedas de troca em compras.

Em meio a incertezas sobre a manutenção de políticas econômicas para a agricultura, com a iminência da elevação dos juros para o produtor rural, os fabricantes de máquinas agrícolas oferecem modelos de negócios com atrativos para os agricultores. Entre as alternativas propostas durante a feira de tecnologia agrícola - Agrishow -, em Ribeirão Preto (SP), estão promoções, consórcios com pagamento em até 100 parcelas e o uso de máquinas usadas como entrada para aquisição de um equipamento novo.
Uma das opções que mais cresce no momento da negociação é o consórcio de tratores, colheitadeiras e pulverizadores. A prática comercial já é usada pelas grandes montadoras de veículos há mais de 20 anos no Brasil e cresce no agronegócio, com a adesão de novos fabricantes e a ampliação do crédito, que agora pode ser usado para compra de máquinas de até R$ 1,3 milhão.
Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o número de cotas ativas para máquinas agrícolas chegou a 80 mil em 2014, um crescimento de 18% em relação ao ano anterior. Para os fabricantes, a restrição de crédito é o principal motivo para o crescimento na procura.
“Uma das grandes dificuldades desse setor é a aprovação do crédito, independente do produtor ser pequeno, médio ou grande, eles têm a maioria de suas finanças tomadas por instituições financeiras ou cooperativas”, afirma Ricardo Herzig, gerente de contas da Case, que começou a oferecer o consórcio como opção aos agricultores há seis anos. A expectativa da montadora é que 12% das vendas em 2015 sejam efetuadas nessa modalidade.
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